Você precisa morrer para entender na vida as coisas que entendi.
Houve uma conversa entre amigos que eu não estava, mas que a Ana comentou comigo. Era sobre o fato dessas pessoas que conhecemos num dado momento, depois de algum tempo mudarem tanto que a impressão mais filosófica a que chegamos é a de que morreram: morreram no jeito, na aparência, na voz, na cultura, morreram, às vezes cedo demais e isto é doloroso... tanto para elas, quanto para nós, ambos em algum tempo nos perguntamos aonde foi, ora bolas, que nos perdemos, quando foi que nos enterramos?
E neste meu diálogo com a Ana, a conversa era sobre o tipo de morte em que o indivíduo ainda vive, o que prova a existência de qualquer existência que não mais reconhecemos é o corpo, os traços que sobraram, alguma luz nos olhos. E falávamos de uma outra amiga que morreu, mas a Ana relembrou o comentário da Vívian sobre esta conversa em que eu não estava presente, a Vívian é minha irmã:
- Eu acredito em qualquer essência que está alí, a essência que nos fez amá-la pela primeira vez e talvez só falte o convívio para enxergarmos qualquer resquício de vida primitiva... exemplo disso é a Lílian, veja como ela é completamente diferente desde que a conhecemos.
E terminou assim a Ana: "Lili, você é uma dessas pessoas que morreram". Bem... eu já sabia que tinha morrido, eu só não sabia que o mundo também já tinha lido o obituário.






