sexta-feira, 14 de maio de 2010

Adeus se for verdade, Mário!


Desses alunos que te provocam, que te exigem atenção, que pedem sem parar e que você, por força deles, por insistência deles, passa a amar e um dia, um dia fresco, dos raros no Goiás, te abandona! Vai embora pro Sul, morar com o pai... e você não sabe se chora de tristeza ou dá graças, porque talvez lá ele tenha a atenção que precisa, você simplesmente abraça, abraço sincero, apertado, forte, longe de qualquer malícia... e dá adeus praquele pré-adolescente tão infantil que se vai, pra sempre (talvez... porque ele já fez todo esse arranjo de ir embora o ano passado), desejando que ele cresça tão bom quanto você já percebe que ele é, mesmo que ele não seja o seu aluno exemplar!

(Depois vou escrever essa história completa... estou só começando do fim, tem uma parte já... o primeiro dia de aula deste ano, no dia 27 de janeiro - Para tudo que se renova, aqui no Blog mesmo, olhem lá e se lembrem do Mário!)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Feliz adaptação de Policárpo

Se criticar é apontar defeitos, me eximo deste texto. No penúltimo final de semana fui a São Paulo com vários pretextos, dentre eles o de assistir o espetáculo Policarpo, do diretor Antunes Filho, a peça valeu, por si só, toda a viagem.


Feliz adaptação do romance "O triste fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto, o espetáculo instiga, atrai, mantém a atenção totalmente voltada à cena. O próprio título original já denota a narrativa, Policarpo não terá um final feliz, mas o importante não é nem de longe este pequeno detalhe. O importante é todo o conflito pátrio, ufânico que o personagem principal vive, qual é frustrado. 

Policarpo é um homem voltado ao seu povo, a sua nação e a sua cultura, mas em nenhum instante obtém sucesso no seu esforço para com o Brasil. O essencial de toda a história são as metáforas que a englobam, num texto escrito para um leitor atento, isto é quase óbvio. Mas como transmitir todas as metáforas para o palco de forma que não deixassem a autenticidade e se tornassem clichês, ícones vazios? Antunes Filho encontrou em sua direção, em sua adaptação textual, a fórmula para a charada e conseguiu cenas tão brilhantes, que mesmo cômicas, irônicas, se tornaram emocionantes de tão belas, estava eu ali dançando com os atores, indignada por vezes, cantando, vivendo a apresentação.

O ingresso vale a pena somente para ver Policarpo sapatear o Hino Nacional Brasileiro, prova de que o bom ator não precisa falar, basta-lhe a expressão corporal. Expressão esta que estava presente e autêntica em todos  os personagens, mesmo os figurantes, que compuseram lindas cenas, tornaram-se parte delas, do cenário, do tempo, do conflito, da loucura do major.

Para quê gritos? Para que delírios a fim de demonstrar a loucura? O melhor é encontrar moldes onde tudo isso se configure numa única cena, em um único personagem que dança sem música, sozinho, com um boneco. E foi assim que Antunes usou as metáforas: nas cenas, nas músicas, nas expressões. Mostrou que a linguagem não se resume ao idioma, que todo o homem é comunicador.

E com toda a soma desses elementos instigou-me a ler um livro que não tem a mesma dinamicidade da peça, não tem a ironia tão saborosa, tão  afinada afiada. Esta adaptação é um achado porque faz o mais difícil, supera o original. 

E nos assusta ao mostrar que a problemática que Lima Barreto enxergou, em 1915, ainda sofremos. Pior! Precisamos de espetáculos como esse para atentarmo-nos. São peças assim que instigam o pensamento e o senso crítico, que me orgulham de ser brasileira e me trazem uma pontinha do quão provinciano os goianos ainda são com o teatro e a arte.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Estou.


Existem dias em que me recuso a escrever... principalmente os dias felizes (em que vivo bem com quem gosto de viver) ou simplesmente os dias de vento gelado que alisa a pele arrepiando cada poro, esses dias gelados, raros, em que olho para o céu azul, escuro, estrelado. Nesses em que a nostalgia é o cheiro que paira. Não escrevo quando estou normal.

quarta-feira, 24 de março de 2010

porque são improvisados ao acaso."


“Distanciamento temporal” – era o que falava a professora, uma voz distante que ecoava na classe, lá, a aluna, pequena moça, cara de menina, humor de velha, ocasionalmente doce, imaginava – “Incrível, assim que sentamos-nus numa cadeira de sala de aula, tornamos-nus alunos, mesmo que em cinco minutos tivéssemos sido professores e cobrado de nossos alunos que não fossem tão alunos!”.

“Uma metáfora à coisa do feminino, a mulher é líquido, é menstruação...” as frases da professora sussurravam às vezes em meio aos pensamentos gritantes da aluna “... teria sido atropelada! A desconstrução da imagem...” e logo voltava a aluna as suas divagações internas.

Uma pontada no estômago, outra pontada viera e passara por ela.

“Mas é sempre a morte do outro, nunca a própria, o velho nunca pensa que vai morrer”, a ouvinte desmergulhara de seu turbilhão lento de pensamentos e discordara mentalmente: “Pensa sim! Minha vó sempre pensa, sempre diz!”

A professora: “O vinho estava velho né gente?...”, e lembrou- se a doce moça velho humor: “Em Bordeaux meu francês fluiu com uma taça de vinho velho” – teor 11%, num singelo almoço de despedida sem intenções... sempre tímida, sem poder da situação, almoçou um filesíssimo de carne cara mal passada e bebeu uma graúda taça de vinho bordeaux, amargo, para os franceses doce... se sozinho num mundo amargo como aquele, era doce mesmo.

Foi-se do restaurante e logo a vontade de esvair-se chegou, a eminência da urina era óbvia, o banheiro era urgente! Na procura insistente, insana, por um toalete em qualquer lugar daquela cidade, surgiu o francês, rápido, prolixo e desenvolto, nada tímido era mais o francês estrangeiro daquela rapariga: “Quelle qu’un!! Oú Il y a un toalette?” .

Entrou numa portinha branca de madeira que escondia um grande salão e encontrou um  restaurante. Ela, singela, jeans e botinha, cortou decidida pelo meio do salão e fez! Esvaiu-se de todo aquele vinho e tímida saiu, desculposa, pedindo licença “Excusez- moi!”.

“Porque ele quer ser descoberto, vários contos do Rubens Fonsêca vão trazer...” – continuava, monótona, a professora... e a garota com a caneta frenética em punho, materializando seus pensamentos em letras negras: “Ninguém gosta desse negócio de subjetividade” ia a professora...

“O conto, a poesia e o jazz seriam próximos...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mas hein?!


Vai entender porque nossos olhos ainda batem numas construções assim, mas eu olhei pro vidro traseiro de um carro e estava escrito em letras adesivadas velhas:

Quem opéra das emorróidas não pode comer mamão! ¬¬

Falei pro meu tio ao lado:

- Máquequeissooo??

- Cada louco com a sua doidura,
cada doido com a sua loucura,
cada louco com a sua loucura,
cada doido com a sua doidura.

Foi assim, isso, desse jeito que ele respondeu!

Mas eu não concordo!!!


Ainda assim, independente de qualquer coisa, continuo achando que as pessoas são ambíguas!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Tecer

E não ter existência confirmada é viver sem eixo.

Eu não sou daqui e ainda não sou de lugar nenhum
Até tenho planos de aonde ser...
do que ser...
mas isso ainda faz parte de uma quase serei
não de um sou!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Síndrome de Asperger.


É complexo de superioridade achar que a minha vida é mais atrativa porque eu não estou caída no meio do mato, bêbada, vomitando em mim, porque Uhuuuuuuuuu "Eu passei no vestibular"?... Ou porque eu não dependo da época dos novos pra ser feliz?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Nos poucos momentos que não sou feliz.


Lágrimas geladas só me caem quando a tristeza também é fria.
... da tristeza que engana,
que hácalma,
acumulada.
Porque você não está
Presente em mim,
Em mim não, para mim,
nem aqui.
... da tristeza que não tem um motivo só
escreve uma pessoa só,
para uma pessoa só.
Escrevo outra vez para: uma pessoa só.
se somos um só...
Somos ambos sós.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

AVERDADE


E tudo na memória é ficção... e assim como a memória, os textos também se deturpam e mudam detalhes, se não enredos!!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Que também se deletam pessoas!


"Mas se você tirou até seu tio de casa, até parece que não vai tirar seu ex das festas familiares!?" - E foi assim que a minha vó falou pra mim quando eu disse que não aceitava um exzinho se meter nas festas de aniversário do meu irmão... "É claro que ele não foi vó! Ex é ex... acabou o namoro, acabou a ligação com a família! Até parece que as ex-namoradas do meu pai frequentam a casa da senhora até hoje! Porque são amiiigas da família... amizade fica, ahãaa...!" - e levantei a sobrancelha com uma força pra encostar na nuca! - "E até a minha mãe... só vai às festas de família porque tem filhos com meu pai, se não nem aparecia lá... e eu, que graças a Deus nem cheguei perto disso, não quero ele nem beirando os meus, MEEEUS!" -  falei pra ela! "Mas ele é meu amigo sim!", pairou o silêncio, olhamos uma pra outra e respondi no meio de uma gargalhada bem dada: "Amigo seu enquanto não encontra alguém que ele goste pra namorar e ficar amigo da família da nova futura ex dele!", então ela virou pra mim com um olhar torto: "Hum... pior que é! Amigo nada! Ele é é um exzinho... quero esse rapaz dentro da minha família não... melhor a gente dar o fora nele antes dele vir dar o fora em mim, e ele nem me pede bença mais!".

E é assim que os dias, as horas, os anos, os minutos excluem as pessoas de nossas vidas, de nossos porta retratos, murais, lembranças físicas, mentais... por causa de um cumprimento! Não tem outro jeito mais fácil de conquistar vó de namorada, é só pedir bença! Foi assim que eu incluí ele na vida dela e foi por causa da benção que ele saiu!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Para tudo que se renova.


Que o tempo passa todo mundo já disse, todo mundo já leu, todo mundo já observou. Mas ninguém nega que ele assusta! A mulher nova que enrugou, os cabelos brancos que surgem depois dos vinte, as crianças que crescem assustam sim, as vezes apavoram a pessoa que fomos um dia, nesse tempo que também ficou pra trás.

Todo ano que começa traz nostalgia... hoje as aulas recomeçaram e entrar na sala como professora é quase a mesma coisa que voltar como aluno. O sono paira, as pernas e os músculos, despreparados pelas férias sedentárias, doem, latejam! A cama chama lá de longe, de casa... a fome é maior e a vontade de reencontrar os pequenos, em algumas turmas, até causa ansiedade. E ahh!! Que vontade de escrever no quadro!!

Entristece um pouquinho é ver que aqueles pequenininhos dos 6º ano estão crescendo, se tornaram 7º... namoram, nem te olham com a mesma pureza e já se corrigem quando cospem um abominável "Tia!".

E também tem aquelas peças raras né!? Entrei no novíssimo 7º, ainda balbuciava um "Bom dia turma!" e um dos alunos, o Mário (sim... todo mundo faz a piada com o menino), pulou em cima de mim querendo colocar a mão no meu nariz: "A professora colocou um pilcing!! Dá aqui!!! Deixa eu arrancar esse cravo!!"... e são nessas horas que eu sou bem Lílian mesmo, sem me preocupar com esse tempo que corre acelerado... morro de rir!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Erro de português. (Não o de Oswald)


Sim, as vezes eu esccrevo errado sim
escrevo sobre um sentimento errado,
sobre uma lembrança mentirosa,
com letras trocadas,
mas escrevo para uma pessoa só...

Para: Uma Pessoa Só
Mas se escrevo errado,
se confundo datas,
se troco letras,
é porque escrevo de forma muito passiva
A ponto de deixar passar, o que já sei.
Se as vírgulas ficam, se os pontos não entram
se sou formalmente informal
é porque tento dizer sempre que não estamos sós

Nós nos temos.