domingo, 30 de março de 2014

Agora é hora de você



Ela é a menina que precisa esperar, já percebi. Cada dia se vê mais a margem do que planejou para si e apesar de desistir diariamente, por empirismo, dos poucos pedaços românticos que lhe restam, ela continua não abrindo mão de suas teorias idealistas... é que ela entende a rigidez do mundo, mas vive a esperança no universo.

Eu só acho estranho que as coisas aconteçam assim, tanta demora, tanta pedra no meio do caminho, tantos castelos de areia. Mas ela, ela entende que o organismo vivo ao qual ela pertence tem seu tempo e que tudo se explica quando acontece.

Ela lembra de uma fábula budista que conta de um viajante perdido no deserto e que encontra um palácio farto de água e alimentos. O viajante irá morrer em poucos instantes, mas aquele castelo no meio do nada lhe nutre e conforta e ele não falece. Mas aí que depois de bem cuidado, quando acorda, o viajante se dá conta que o castelo sumiu. Ela não lembra o nome dessa história, ela também não sabe ao certo se é budista... Mas ela pensa sobre os inúmeros castelos que já lhe apareceram e já lhe foram, ela os nomeia de castelos de areia. Ela caminha seu caminho, e nesse seu caminho muito particular e verossímil dentro de sua pele, ela espera pelo palácio de pedra.

Sim, ela aguarda o palácio de pedra para pertencer, aquele que continue. Ela se recusa a procurá-lo, ela vai caminhar pelo deserto, sozinha e independente como uma boa raposa, vai caçar todas suas galinhas e roubar todos seus quintais, vai levar consigo tudo que puder, e perder também, dos castelos de areia que a enganarem para que ela sobreviva. Traz consigo as marcas desses castelos que se foram nas pequenas dispersões e agora já não os adentra sem cautela. Ela é parte do que os tornou justamente interessantes... E ela será encontrada pelo seu, porque como eu disse, ela renuncia a procura direta, mas não nega os encontros improváveis.

terça-feira, 11 de março de 2014

quarta-feira, 5 de março de 2014

A conjunção e.


Eu confesso que você me magoou. Magoou principalmente o dia que te vi reclamar do amor, porque eu sempre tive muito amor aqui pra você e muitos textos também. Aí eu entendi que isso só poderia dar errado do jeito que ia... eu também percebi que existem momentos que a desistência é válida... E os dias me fizeram compreender que as dores e os bons sabores todos passam com o anoiteceres e amanheceres... fez lembrar a ginástica das horas.

Eu estou aqui tentando lembrar uma música que me lembre você e que me doa, para que eu possa escrever melhor... e, meu bem, eu não estou conseguindo lembrar. É que você morreu um pouquinho em mim. Morreu para nascer novamente. É que você me renasce sempre que me vem. E olhe, você é aquela pessoa que eu vou guardar aqui dentro pra sempre. Você que está aí lendo uma parte da minha carne mais exposta,  você tem alguém para amar a vida toda? 

Ele é o pedaço de paixão que vem pendurado com tudo que eu sou hoje. Quando eu amo, uma parte dele ama em mim. É que ele é um pouco o que eu sou... e o que eu não sou dele, eu gostaria de ser.. O universo nos impossibilitou pela assincronia temporal. São poucos anos que nos fazem andar em retas paralelas... um cálculo matemático que nunca produzirá um gráfico de retas que se cruzam, porém se atraem.

Esta noite eu sonhei com você, eu sempre sonho contigo... nesse meu sonho, acordávamos dormindo de mãos dadas e você me abraçava... nesse meu sonho nós dançávamos, nós bebíamos e também dormíamos... e nesse meu sonho eu cuidava de você e você cuidava de mim, e nele nós éramos os mais selvagens e domados que podemos ser conosco e com o mundo, neste mundo sem compreensão do que somos e que nós não compreendemos. No meu sonho tudo foi muito lindo e eu ia embora antes e acordava antes, porque meu tempo é realmente um pouquinho na frente mesmo. Meu irmão mais novo, desse caso incestuoso que eu pretendo guardar na sombra dos meus dias, no meu sonho, eu planejo muito a sua felicidade e ela nem me agride, nem me alcança... Ela é só a sua felicidade, uma felicidade que lembra de mim. 

Eu confesso que você me faz muito feliz por não deixar de viver em mim. Eu confesso que amo os textos que roubo de você. Eu confesso que não vamos nos esquecer. Nós nos pertencemos, sabemos e não nos prendemos. Você pensa que eu escrevo bem e eu lhe devo metade de todos os meus poucos créditos.