O problema da solidão é a cama.
sábado, 24 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
22 anos aqui.
Ninguém precisa ter sido triste para saber que está sendo feliz.
A felicidade é inerente.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Coisas de mulherzinha.
TPM: Irritar-se com tudo e depois cogitar ser ela uma desculpa esfarrapada (sua mesma) para o fato de você estar se irritando facilmente e depois de alguns dias perceber que, sim, ela realmente existe.
TPM: Aquilo que o machismo usa pra justificar a indignação das mulheres referente a qualquer coisa, ainda que não seja ela a agente.
TPM: Ciclo vicioso que repete as mesmas dúvidas e irritações de todo ciclo menstrual.
TPM: Vontade de bater, discutir, gritar, chorar e ser abraçada.
TPM: Literalmente coisa de mulherzinha.
TPM: Aquilo que o machismo usa pra justificar a indignação das mulheres referente a qualquer coisa, ainda que não seja ela a agente.
TPM: Ciclo vicioso que repete as mesmas dúvidas e irritações de todo ciclo menstrual.
TPM: Vontade de bater, discutir, gritar, chorar e ser abraçada.
TPM: Literalmente coisa de mulherzinha.
sábado, 27 de agosto de 2011
Puramente assim.
Bom dia, dia! Os ares da manhã, aos sábados, são outros. Manhãs de sábado me lembram infância no sofá, comendo passatempo com gordura trans e tomando leite com chocolate. Mentira, nunca gostei de leite com chocolate, meu negócio sempre foi leite puro, tomado de gute gute...
Manhãs de sábado me lembram aulões do terceiro ano, precedidos de copo de leite corrido para a escola... Me lembram também aviões decolando depois de uma correria desgramenta e vez ou outra, aviões pousando.
Das manhã de sábado, as melhores são aquelas que passei a sexta em casa, dormi na hora que eu quis sem obrigações matinais para o outro dia e acordei também, a hora que eu quis, com o celular no silencioso, para não ser incomodada, rolando na cama, brigando com o corpo para despertar e também não. Olhando pelo céu azul que entra pela janela e sentindo o calor excessivo do meu edredom. Hoje acordei feliz, a sete dias mais feliz.
Em primeiro texto, escrevi: em uma semana ganhei uma pessoa antiga e perdi uma pessoa antiga. Errado. Pessoas não se perdem e não se ganham, se recuperam inevitavelmente.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
domingo, 21 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Respeito: essa meleca que temos que respeitar!
Atrasada, a menina outro dia, pegou-me pelo braço, em sala de aula e contou que a madrasta lhe lavou a boca com sabão... "O que eu faço, professora?", "Mude seu comportamento, gatinha, é só da gente que a gente pode exigir mudanças"... "Dos outros, nós não podemos exigir nem o que nos é fácil", quanto mais o que também faríamos.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Uma flor ao clichê - Ninguém é de ninguém
O assunto é primeiramente de família e é familiar pra você também.
Outro dia deixei escapar, de brincadeira, em classe: "No final das contas, tudo é por reprodução, até objeto indireto! Você, Lucca, está aqui nesta sala, porque seu pai sabe que em 2030 você já tem três filhos pra sustentar!"... hoje, lendo o texto que coloco aqui, pensei: "Poxa, quanta ignorância, hein, professora!?"...
"O amor tudo suporta. A característica do amor é a perseverança. Aquela(e) que logo perde a paciência e abandona um propósito tem pouco amor. No amor verdadeiro não há ciúme. Tem-se ciúme quando há desejo de possuir exclusivamente para si, e isso não é o verdadeiro amor. O amor jamais procura exibir-se. O amor é sereno. Uma paixão ardente que logo se extingue não é amor verdadeiro. O amor é aquele que vivifica o próximo com serenidade e perseverança, sem jamais perder a esperança. O amor nunca é desespero. Desespera-se aquele que não está amando verdadeiramente o próximo. Quando o amor é profundo, jamais perde a esperança no próximo. O amor vê a perfeição da imagem verdadeira. O amor jamais amarra o próximo. O amor liberta, porém não abandona. Amar é orar pelo bem do próximo - (TANIGUCHI, Masaharu. A Verdade, v.9)".
Apesar de achar muito difícil amar desse modo, a gente não pode esquecer que talvez seja dessa forma mesmo. Tudo na vida é ao acaso do amor... "Refletindo sobre minha própria vida, não há dia mais triste do que aquele em que nada amei", continuou Taniguchi em outro trecho, de um outro livro. Por bem, nunca passei um dia sem amar e cada dia que passo, esse meu círculo de amores cresce e revive... bom e problemático é que é muito difícil querer apenas uma pessoa.
Depois de ouvir um poema tão bonito de Vinicius de Moraes, resolvi terminar esse tributo ao clichê com ele e não pensem que estou para mudar meu status, estou falando de muita coisa:
quarta-feira, 27 de julho de 2011
No meu tempo.
Os dias confortáveis me fazem lembrar que prefiro me decepcionar quantas vezes forem necessárias para não deixar de acreditar nas pessoas, nos fatos e nas esperanças... porém sou inquieta, os olhos sempre fixos, mas as pernas sempre dançando.
Já fui daquelas que largou para trás pessoas e lugares e quando retornou percebeu que ambos não existiam mais e penso que essa é das maiores decepções que existem... mas nos últimos momentos, percebo que meus lugares, minhas pessoas, meus instantes, por mais que preteridos, estiveram sempre ali, tão meus como sempre.
Durante quase 1 ano de tempo meu, a Vivi esteve longe e em meus sonhos ela sempre retornava outra, nós éramos outros, a chácara e Goiânia eram, para ela, outros. Mas quando ela pisou seus lindos pésinhos branquelos no Santa Genoveva, parecia que ela nem nunca tinha saído daqui e foram assim que as pessoas e os lugares, depois dela, passaram a aparecer em mim, como se nunca tivessem ido.
E é ai que o Saint-Exupéry sempre volta pra mim, não era ele que dizia que "aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós, deixam um pouco de si, levam um pouco de nós"?... isso só reforça a ideia de um certo professor importantíssimo em minha vida, escrita num livro de poemas que sempre leio: "a mão fechada se torna um ponto e aberta se torna infinito (...) a vida não está contida na escala do tempo, não está contida na escala da caducidade" (Masaharu Taniguchi)... e me abre a um paradoxo: tenho tempo para tudo, mas não posso demorar, estou levando as coisas tipo Jack Estripador, por partes... esperando e indo embora.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Zorra
Sou do Oeste. E é por isso que minha raposa olha pra lá.
Nem nunca pensei em raposas, até apreciava um tiquinho a Kyuubi... e tinha aquela de um desenho que eu gostava quando era criança, que a raposa, apesar de predadora, amava e cuidava de sua amiga cegonha. Teve também aquela do "Todos patinhos", que a Dassa me deu de aniversário e contava da caçadora laranja que acaba por formar uma família de patos, esperando sua presa crescer, tornou-se pai e descobriu que o tempo constrói o sentimento.
A raposa, na literatura, sempre é um ser faminto que é enganado pelo tempo e este mesmo tempo é o que a torna melhor, mais amável e mais sábia, aproprio-me dela. Até tem uns significados orientais, de ser astuto, feminino, feiticeiro... e mesmo que eu os aceite, em mim não caberia demasiado clichê, não como motivo.
A minha raposa é a do Pequeno Príncipe, a que é cativada, a que dá valor ao tempo que se dedica àqueles que se pensa comum e que só nós, raposas, sabemos que é pelas horas, pelos dias, semanas e meses, que se tornam únicos. Quem não sabe do que estou falando deveria ler mais... deveria fazer como Antoine de Saint-Exupéry recomendou e ler "O Pequeno Príncipe" em três fases de sua vida.
A raposa é preguiçosa, tem os olhos cerrados, é do deserto e está certíssima em seus segredos, tanto que me confundi ao escolher qual deles gravar junto, de qualquer forma, não vou me esquecer de que me tornei responsável por aqueles que cativei, de que foi o tempo que dediquei a minha rosa que a fez tão especial, de que os rituais são necessários, mas daqueles diálogos dela, o que simplifica tudo é:
"O essencial é invisível aos olhos"... só se vê bem com o coração, em português de preferência, como a Vivi recomendou.
Posso dizer agora que, literalmente, sou meio raposa.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Em português
Foram três meses. Tentei guardar o texto, tentei não falar da coragem pela igorância... não consegui. Deixar desenhar-se é um processo e vem acompanhado dos pensamentos, nas horas que se passam em silêncio, no meu silêncio, do barulhinho da máquina e da dor.
E neste silêncio, que se desenrolava em horas psicológicas muito mais longas que as cronológicas, refleti sim, depois do anestésico... na verdade, no início, o que mais fiz foi xingar e depois de perceber o erro que vive em esbravejar num momento em que o corpo está todo concentrado em apenas um ato, agradeci, à la Seicho-No-Ie mesmo: "Muito obrigado, muito obrigado..." e passei pelo "Imagem verdadeira, harmonia e perfeição" também.
Mas aí que a gente se acostuma a viver em qualquer contexto, o meu foi de dor, e nesse tempinho de pele espetada, pensei de alunos, diários, provas, médias, amigas, ex, xadrez até girafas no zoológico.
Como ouvi das tatuadoras, da madrasta e das amigas "Mas você já se acostumou com essa dor, não?"
E guardei para mim a última conclusão dessas sessões: o humano não se acostuma a tudo não, até recortadamente ele se acomoda, mas, no caso da dor, não há ser que não fuja, que não se rebele e que não a queira sempre longe. A dor é sempre nova e sempre dói do mesmo jeito, por mais aceita e conhecida que já seja. Prova disso é o choro que derramamos em todas as mortes de queridos que vivemos, todos os namoros que rompemos, todas as dúvidas que passamos, cada tatuagem que fazemos.
Meu desenho completo não é para todos, inteiro mesmo é só para os íntimos, o que prova mais uma vez que o "essencial é invisível aos olhos".
terça-feira, 12 de julho de 2011
"Um risco, uma passo, um gesto..."
Expôr-se a tratamento de choque,
ela pensou.
Leu Redatoras de Merda,
comeu doce-de-leite,
ouviu Litlle Joy, Paralamas e Apanhador Só.
Falou mal de homens com a amiga...
repensou parar de parar de tomar o controlador hormonal,
escreveu...
e teve uns dias em que chorou escondida.
Pintou o cabelo,
descoloriu-o e pintou de novo...
conheceu homens,
conheceu mulheres...
perdeu a cronologia dos fatos.
Hipotetizou.
Pensou em voltar atrás...
rezou por um futuro novo.
Depois de rasgada, dobrada e redobrada,
formou em pássaro, assim como o origami,
cansada.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
"Gosto de ficar ao sol, leãozinho. De molhar minha juba..."
Ando imaginando-me a andar pela areia molhada, bem a beira do mar, os pés afundando na areia lamacenta, gostosa, puxada pela água que vai embora e volta molhando minhas canelas.
Ando imaginando-me a mergulhar na água salgada, o nariz arrebitado e os olhos ardidos de sal. A onda quebrando, as vezes, antes que eu me restabeleça... o que me relembrará mais uma vez que sou totalmente do planalto central, nenhum hábito litorâneo.
Ando imaginando-me a sair das ondas, talvez a jogar um pouco de lama numa amiga e a caminhar até a areia fofa, branca... as canelas sujas de areia e o corpo impregnado de sal. A procurar uma ducha e perceber que a mais próxima está longe... então, ando imaginando-me, a tirar o sal com gelo ou água mineral. Ando imaginando-me a avermelhar as bochechas branquíssimas... a esfriar a pele na água e aquecê-la ao sol. Ando imaginando o cheirinho de Sundown!
Ando imaginando-me a sentir a maresia na descida para o litoral, na chegada à praia e ouvindo as ondas quebrarem ritmadas, da minha cama.
Ando imaginando-me a sentir o calor úmido do litoral, o cansaço do fim do dia, a vontade da noite. Não, não ando imaginando-me a catar conchinhas! Não tenho mais paciência para elas!
Ando imaginando os pôres-de-sol que posso ver, os cocos que posso beber, o sol que não posso pegar, os mergulhos que posso dar, os dias e as noites que quero passar, as marcas que posso ter.
Acho que o verão é na praia.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
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