quinta-feira, 23 de junho de 2011
Nozes.
Vinícius de Moraes aconselhou que fosse eterno enquanto durasse. Eu acrescento que seja eterno enquanto houver saudade... Tem gente que sempre será eterna... e isto é o único fato que é presente do futuro, mesmo que estivesse no pretérito imperfeito.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Eu não quero voltar sozinho
Que para todas as pessoas o mundo seja belo assim e que todas elas sejam intelectualmente capazes (...)!
(Premiado em: Troféu Sapuari 2011, Troféu Dom Quixote, Prêmio Sindcine de Qualidade Técnica em diversas categorias!)
(Premiado em: Troféu Sapuari 2011, Troféu Dom Quixote, Prêmio Sindcine de Qualidade Técnica em diversas categorias!)
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Brevemente
Se até dos números duvidamos da eternidade, é natural que questionemos a nossa.
O infinito pode pesar,
O infinito pode pesar,
mas deixa as coisas mais leves.
(Estive com saudades de textos curtos)
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Entre mentes.
Sentei-me na cama ontem a noite. Minha cama é dessas que se senta e afunda... mais parece ela um abraço. Ontem minha cama abraçou minhas pernas.
Pés sobrepostos um a cima do outro, apenas nas pontas, o corpo sentado sobre as panturrilhas, quase como uma judoca. As mãos justapostas de forma triangular a uma distância de três polegares do nariz, os joelhos dispostos a distância de dois punhos, os olhos levemente fechados, o olhar para cima e a coluna ereta. Meditei.
Algumas situações eu, confesso, evito. Evitei durante muitos dias meditar e me perguntar quem sou eu e principalmente evitei meditar em prol da minha verdadeira felicidade, mas algumas coisas são inevitáveis. A verdadeira felicidade por exemplo, tenho medo dela, mas ela vai chegar. E acreditem, isso não faz parte apenas dos sete meses que se antecederam a este texto...
Parece estranho falar em medo da verdadeira felicidade, mas este medo existe sim, principalmente quando se está gostando do que está vivendo, mas sabe que o que está acontecendo não preenche o seu eu mais íntimo e sabe que meditar é acordar aquela raposa que existe dentro de nós adormecida e de repente quer acordar aos grunhidos mais fortes... por isso estou a mantê-la durante tanto tempo pelas costas... o paralelo é que em mim, ela está cada dia mais viva, mais colorida e não estou falando da minha tatuagem. Algo em mim quer ser cativado, mas algo em mim tem medo e muitas coisas por aqui ainda não tem valor, o trigo por exemplo para mim, não significa nada... mas...
Enfim... resumo aqui todo o significado que tem na minha vida o ato de meditar.
Meus pés, na cama quente, logo começaram uma dança de pontinhos piscantes internos, pequenas formiguinhas... choques sem força, que logo se tornam dormência e logo se tornam nada. De meditar gosto de tudo: gosto da paz, gosto dos pés formigando, gosto da tensão no braço, gosto do domínio do corpo pela mente, gosto dos pensamentos que jorram... dos pequenos ruídos que ouço e normalmente não percebo dos outros apartamentos, amo o silêncio e amo me encontrar ali quieta, pronta para conversar e ouvir o que há de vontade mais íntima aqui.
É por isso que faço o shinsokan (algo como contemplar Deus no/pelo pensamento) na forma mais original que posso. Se amo sashimi, guioza, hashis, kimonos, barcas, hot holls, sake (=P), e todo diabo a quatro que envolve a cultura japonesa... se nasci com os olhos puxadinhos numa vida goiana totalmente ocidental e amo o oriente. Se neste planalto central do Brasil, nasci numa família que segue uma religião Seicho-No-Ie, então meditar eu também gosto é em japa! Nada de cadeirinha.
Me sinto menos convicta das atitudes a tomar do que nunca, mas me sinto mais pronta do que nunca para aceitar o que é meu e espera há tanto pela palavra de ordem "Venha".
Foi por isso que hoje acordei pensando que a ideia é uma semente plantada. Vejamos a colheita!
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Coração não é tão simples como se pensa!
Depois de tentar racionalizar cada um dos meus sentimentos em minha mente, desisto e faço uma oração.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
A ignorância acompanha
"Ignorante, palavra derivada de gnose, não saber", como dizia meu professor de Literatura Portuguesa I, nas aulas matutinas de início de faculdade, numa voz fina e inconstante. Na época, disputávamos na faculdade as melhores imitações daquele tipo caricato... e aquelas manhãs ficaram gravadas em minha mente e a explicação eu absorvi, de tanto imitar.
Quando fui sozinha para Bordeaux, todos me falavam que eu era muito corajosa... mas não foi exatamente a coragem minha motivação. O meu conflito é a curiosidade. O dia em que entrei em tantos aviões e fiz escala em tantos aeroportos para chegar naquela cidadezinha francesa, para passar cinco meses, não sabia em suma o que me esperava... fui sem pensar no que encontraria e o problema da imaturidade é justamente não saber, voltei, em um mês. Isso foi tão problemático que ainda não avalio com precisão o total desta conta na minha personalidade, no meu presente, no meu passado e no meu futuro. O fato é que um dia saiu uma Lílian da cidade de Goiânia e ela se perdeu em banheiros, aeroportos, aviões e caminhadas sozinhas e intermináveis durante 25 dias. O pior continua sendo a dúvida, quanto de mim tinha de ser assim e quanto de mim deveria ser mais se eu tivesse ido até o fim?
O que me felicita é que com certeza eu não podia e não quereria ser a mesma de dezembro de 2008, sou feliz com a que chegou aqui.
A vida é feita em ciclos tão intermináveis, tão recorrentes... sempre me vejo exposta a frase "Você é corajosa" e sempre lembro do meu professor Rogério.
Entrei no estúdio do Jander pra fazer uma tatuagem, que para uma pocket como eu, é gigante! E todo mundo me falava e fala: "Nossa, como você é corajosa"... desta vez eu tinha consciência da minha ignorância. Bem, não posso ter medo do desconhecido e como não conhecia a dor de uma agulha rasgando toda minha pele, mergulhei de ponta. Mas uma tattoo que se inicia, se termina e meeeeu Deus!!! Nunca sofri tanto e nunca senti tanta dor na vida, uma dor incomum!! Estou aqui tendo uma filha! Desta vez saberei exatamente o tanto que devo ser.
Certa vez um velho amigo me disse que se um gato pensar, ele não faz suas grandes proezas, não pula suas grandes alturas, não cai sempre de pé. Então!
terça-feira, 10 de maio de 2011
"Precisar de dominar os outros é precisar dos outros" - Fernando Pessoa.
"Alguns têm na vida um grande sonho e faltam a esse sonho.
Outros não têm na vida nenhum sonho,
e faltam a esse também" - Fernando Pessoa.
Realmente me revolto quando ouço estrangeiros falarem que o Brasil é perigoso e recomendarem aos turistas que possam vir aqui, que escondam bem seu dinheiro e tomem muito cuidado com assaltos, porque aqui não é seguro como o país deles. Sim, o Brasil não é um reduto de paz e calmaria como Graz, na Áustria, mas a verdade é que, muitas vezes, imagino que os americanos e os europeus devam estar tão gordos que não consigam olhar para seus próprios umbigos:
Como passei medo nas ruas de Paris, como precisei me precaver para não ser assaltada em vários pontos turísticos ou para (simplesmente) conseguir manter as mãos fechadas para qualquer coisa que fortes e grandes franceses na porta da Sacré le Coeur tentavam colocar em minhas palmas e como estive assustada em Roma, com todos aqueles ragazzos maltrapilhos agrupados em esquinas, nas ruas mal iluminadas, nestas últimas férias.
E em Bordeaux, inclusive, logo no dia que cheguei naquele intercâmbio, que depois resolvi abortar, em 2009, ainda meio zonza pela novidade que encarara sozinha, precisei me atentar a um homem que enfiou seu número de telefone no meu bolso, no ponto do "tram way". Precisei me adaptar a um quarto na casa de um maconheiro que não trabalhava, apenas recebia rápidas visitas que pegavam qualquer coisa e iam embora, óbvio não me adaptei e fui para a casa dos estudantes, necessitei não me tornar histérica quando um rapaz europeu resolveu me olhar por de baixo do boxe do banheiro coletivo que usávamos no prédio de estudantes, ou quando outro gritava, andando de toalha (à 3º C) pelo corredor de um andar com 80 quartos. E, por fim, para fechar com chave de ouro, tive de fugir de um árabe que teve na telha de me seguir descaradamente, quando, então, resolvi ligar para meu pai e pedir penico!
A questão é, então porque viajei para lá de novo e porque viajarei quantas vezes for? Primeiro, porque tenho ideias bem cosmopolitas, mais que um problema nacional, a segurança é um problema mundial! Segundo, porque a Europa é berço cultural e histórico dos americanos e claro, sou curiosa, mais do que ter, quero saber.
Apesar também de todos estes problemas, poderia além de um texto, dedicar-me a um blog que falasse sobre todas as boas aventuras e as grandes felicidades e novas sensações que vivenciei no outro continente! O que não suporto é ler textos que exaltam os problemas brasileiros e latinos sem critério, comparativo por exemplo. E pior de tudo é ouvir europeias, como essas tchecas que vieram para "zuar" no Brasil, dizerem em plena Paulista, para a "jornalista" Sabrina Sato, que não tinham dinheiro, porque seus amigos europeus recomendaram que não andassem pelas nossas ruas com notas!
O mais irônico de tudo, é que imagino que a maior parte dos mochileiros que viajam para outro país, voltam admirando mais o seu (e não importam os motivos), mas ao regressarem, escutam de todos aqueles que não foram (ou foram em grande luxo) a mesma conversa de como o Brasil é uma porcaria. Foi numa dessas que comentei com minha bèlle-mere (pois me recuso a chamar a Lu de madrasta): "A única coisa que quero ouvir é elogios ao meu país e todos me chegam para falar mal dele, pedir a opinião comparada de como lá fora é melhor", não é!
A verdade, meus caros, é que, se viajo, volto forte para melhorar meu país... e não li e reli este texto para analisar o quanto de senso-comum patriótico tenho, o quanto de contraditória tenho entre o sentimento de querer um mundo mais cosmopolita e ao mesmo tempo de nação mais nacionalista; mas com o que já experienciei, penso que seria melhor que abandonássemos esse sentimento de inferioridade, que recolhêssemos dos mais velhos apenas o que há de bom, para melhorarmos o daqui e também que deixássemos, no mínimo, o senso-comum adolescente e ignorante de odiar o que temos, não sejamos extremistas, o meio-termo, na maioria das vezes, é o caminho.
Sempre que viajo, volto respirando ainda mais brasileira e isto foi é questão de maturidade.
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ESPN americana chama Copa - 2014 e Rio - 2016 de 'Jogos Mortais'
(Não quero que fechemos nossos olhos para nossos problemas, muito pelo contrário, mas avacalhar não, né? Jogos Mortais!!??)
domingo, 27 de março de 2011
A felicidade da jovem Lílian
De: Lílian de
Castro [mailto:liliandeccastro@hotmail.com]
Enviada em: sexta-feira, 25 de março de 2011 19:28
Para: vinibtms@gmail.com
Assunto: Feliz!
- Que dia é hoje, professora? - Perguntou uma aluna
quando pedi para que fizessem cabeçalho para a tarefa de hoje.
- Dia 25 de março de 2011, aniversário do meu
melhor amigo: Vinicius Barbosa Teixeira Machado dos Santos!
- Nooooooossa! Que nome enorme!! - respondeu a
maior parte dos alunos da classe em coro.
- Em nome e em pessoa! - Respondi eu, orgulhosa do
amigo que tenho.
Hoje aconteceu uma coincidência, pedi para que meus
alunos escrevessem sobre alguma pessoa sublime de suas vidas e trouxessem a
letra de uma música que a lembrasse, certo aluninho do sexto ano, o Miguel Quinteiro, trouxe uma que lembrava seu melhor amigo e tive que me segurar para
não chorar em plena sala de aula, lembrando aquele dia tão bonitinho em que
fizemos um CD de feliz aniversário pra ti, que virou moda depois... se cada
pessoa importante em nossas vidas (para mim) tem uma música, a sua, mais que a
da Vivi (se você tiver lido meu blog) é a mais cabível de todas:
Canção Da América
Amigo
é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas
quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo
é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois
seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.
Vivi Bululu, meu amigo dos amigos, que sentou
comigo e conversou tantas vezes quando precisei de ajuda... que construiu parte
do que sou, que virou meu irmão e que viajou pela Europa comigo (coooof cooof),
fala sério! Para nós, ali naquele ensino médio no Nova Era Vestibulares, isso
era previsível sim, tão previsível que imaginávamos e fazíamos planos sobre,
claro, sem a pretensão de realizar, mas somos o que podemos ser, né? E com uma
pessoa tão maravilhosa como você, não poderíamos ser melhores! Mentira!
Poderíamos e podemos, sim! E é isto que te desejo no seu aniversário de 23
anos, crescimento pessoal (que de tamanho chega né, bem!?)... que você nunca se
dê por satisfeito, que sempre queira se instruir, viajar mais e que sempre ao
final de cada jornada pense: "Nossa! Eu podia ter feito mais! Mas tudo
bem, vou fazer esse mais naquele outro plano que eu tenho para a próxima!"
e que obviamente esteja incluído na sua reflexão: "Lá estarei eu e a Vivi
e o Nanicão, se não estiver com a gente dessa vez, vai nos visitar e vamos
dormir em aeroportos, na mesma cama não pelo amor de Deus, vamos passear, vamos
em vários Hard Rock Cafés e eu sempre me cuidarei para não vomitar na frente da
Lílian de novo!"...
Vinição, já temos história! E querendo ou não, a
nossa história é juntos e fico feliz de hoje perceber que temos várias almas
gêmeas em nossas vidas, você é umas das minhas (não preciso de uma gracinha
aqui para saber que você tem maturidade suficiente para compreender o que
digo), obrigada por ser meu irmão!
Amo você,
beijinhos
saudades!
Lili! ^^
P.S.: Não escrevi mais cedo porque passei o dia
inteiro com dor de barriga!
P.P.S: Tô sem seu msn!
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De: Vinicius
Santos [vinibtms@gmail.com]
Enviada em: sexta-feira, 26 de março de 2011 3:17:32
Para: liliandeccastro@hotmail.com
Assunto: RE: Feliz!
Primeira coisa: Realmente você escolheu a palavra exata
para definir o assunto do email. Engraçado que ela também definiu meu estado de
espírito após essa leitura. Um suspiro e uma felicidade enorme! Muito obrigado.
Bem, realmente esse meu nome enorme impressiona. Sempre
impressionou, desde os coleguinhas da escola primária, onde eu me sentia
inflado por ter um nome que diferenciava-se do nome da maioria, até as pessoas
com as quais trato atualmente, como os europeus que também comentam, dizendo às
vezes que é um problema ter um último nome, coisa que aqui possui ampla
utilização, como numa lista bibliográfica, composto por quatro longos nomes,
para eles quase impronunciáveis.
Mas essa pequena irritação que eles sentem, como a moça
do banco que não sabia o que fazer para escrever meu nome no cartão de débito,
não me incomoda nem um pouco. Isso porque eles não conhecem essa grande pessoa
sobre a qual você escreve. E antes que isso pareça auto-promoção, me defendo...
Não conhecem porque não se dispuseram a estar do meu
lado, compartilhando segredos e trivialidades, muitas vezes acompanhadas de
longas e boas risadas. Ou ainda de boas e construtivas discussões, que
semearam, aliás, que reviraram o terreno dos meus pensamentos para só depois
germinarem em reflexões que mudaram inúmeros pontos de vista. Também, porque
não se arriscaram a pensar os anos futuros dividindo vivências, tempo e até
mesmo um provável “ganha-pão” (lembra quando falamos sobre a sua confeitaria?
Era no começo do meu curso, e disse que cuidaria da parte financeira, ai ai..
quantas voltas esse mundão dá né!?). E também nunca se empenharam em realizar
conjuntamente alguns planos, como peças de teatro na escola, curta-metragem
trash demaaaaaisss, mestrados (hum... esse parcialmente realizado né,
Mestranda? ;D) e uma viagem para Europa (COF COF COF =P). E o melhor de tudo:
nunca se imaginaram se encontrar no meio da caminhada da vida para sentar,
tomar um café e rever todas essas coisas, sentir e desfrutar de uma boa
nostalgia e planejar novamente o dinâmico do que virá!
Concluindo minha defesa, isso tudo mostra o quanto me
encontrar com você teve, e tem, importância para minha vida. Com você, e todo o
nosso grupo eterno, aqueles que sempre eram certeza nas idas ao cinema do
Buriti Shoppis, aprendi a importância de uma amizade, madura o bastante para
ser eterna, permeando toda uma, ou várias vidas. Sendo assim, o elogio também
vale para você, GRANDE! Devemos muito do que somos às pessoas que caminham
conosco, e olhar para o lado e saber que você estará lá, ou então chegará lá se
eu precisar, para compartilhar a essência da existência, inquieta e conforta. E
bacana é saber que depois desses encontros damos os próximos passos sendo
pessoas melhores!!
Muito obrigado por existir!
Amo você nanicão!
P.S.: Sarou do piriri? =P
quinta-feira, 17 de março de 2011
Viver
Ontem li a Sutra Sagrada da Seicho-No-Ie pro vovô e pude relembrar uma parte que não lembrava, está bem fixo em minha memória que a doença não existe no mundo real, mas não lembrava que ali também está dito que a tristeza também é ilusão e percebi que, por inércia, sou sempre uma pessoa feliz e nunca me deixo abater pela tristeza. Mas é claro que tenho motivo para isso, sou rodeada de pessoas sublimes e não há tristeza que me vença, porque se é que ela chegue, meus amores não deixam, corro pra chácara!!
Sabe, ultimamente não estou muito inspirada a escrever belos textos, mas existe uma música que, nos últimos tempos, me motiva a digitar, Gospel, do Raul Seixas. E lerda que sou só parei hoje pra pensar sobre ela... "Nossa, a batidinha dessa música parece daquelas músicas de igreja norte americana... (momento de silêncio mental) Aaaaaaaaah! Entendi!" e a letra dela é tão no meu ritmo também, uma poesia de questões corriqueiras da vida...
Daí que eu gosto de ver fotos ouvindo músicas e resolvi relembrar os momentos com a Vivi, na Europa (jogo o cabelo pra trás), Gospel me lembra as músicas country que papai ouvia quando eu era criança... mas no carro, quando viajávamos, a balada da noite era Alma Gêmea, do Fábio Jr. Sim, hoje todo mundo acha brega, mas eu sempre, seeeempre senti profunda vontade de chorar, mesmo aos 5 anos de idade, ao ouvir esta canção. E sabem quem é a pessoa na qual todos os dias sem excessão pensei ao ouvi-la? Aos que me conhecem.... e aos que já me leram um pouquinho, a resposta é óbvia: na Vivi.
Durante a infância (me lembro perfeitamente), deitada no banco de trás do carro com a mana, enroscadas de sono, perna pra cima, braço pro lado, cabeça no colo da outra, bochechas coladas, quando essa música tocava, eu pensava nela e tudo começou porque ele canta melodiosamente "Carne e unha, alma gêmea, bate coração, as metades da laranja, dois amantes, dois irmãos" e eu ficava horrorizada "Como ele chama o irmão dele de amante???"... ali na minha pequenez interpretativa dos 5 anos, escolhi a música perfeita para minha menina dos cachinhos, parceirona, chata, mas não entendia o direcionamento do Peninha. Não sei se ele cometeu o erro de escrever esta música para uma amante sexual (e sei que a música deve ir pra esse lado mesmo), mas me orgulho de poder dizer que meu direcionamento para a obra dele não poderia caber melhor! Foi para uma das sublimes pessoas da minha vida e sou feliz em dizer que não vivo em ilusão nesta vida, porque tenho as melhores pessoas do mundo em mim!
P.S.: Vejam se não tive um lapso de maturidade ingênua na infância:
Alma Gêmea - Peninha
Por você eu tenho feito
E faço tudo que puder
Pra que a vida seja
Mais alegre
Do que era antes...
Tem algumas coisas
Que acontece
Que é você
Quem tem que resolver
Acho graça quando
Às vezes louca
Você perde a pose
E diz: "foi sem querer"...
Quantas vezes
No seu canto em silêncio
Você busca o meu olhar
E me fala sem palavras
Que me ama, tudo bem
Tá tudo certo
De repente você põe
A mão por dentro
E arranca o mal pela raiz
Você sabe como me fazer feliz...
Carne e Unha
Alma Gêmea
Bate coração
As metades, da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças, que se atraem
Sonho lindo de viver
Estou morrendo, de vontade
De você!
Quantas vezes no seu canto
Em silêncio você busca
O meu olhar
E me fala sem palavras
Que me ama, tudo bem
Tá tudo certo
De repente você põe
A mão por dentro
E arranca o mal pela raiz
Você sabe como me fazer feliz...
Carne e Unha
Alma Gêmea, bate coração
As metades, da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças, que se atraem
Sonho lindo, de viver
Tô morrendo, de vontade
De você!
Bate coração!
As metades, da laranja
Dois amantes, dois irmãos
Duas forças, que se atraem
Sonho lindo, de viver
Tô morrendo, de vontade saudade
De você!
P.P.S.: Isso não muda o fato de que vamos brigar quando você voltar!
P.P.P.S.: Mas eu a amo.
terça-feira, 1 de março de 2011
Sou o que leio.
“Olhando para
fora da parati branca, quadrada, no trânsito congestionado de São Paulo, se dirigia para fora, lia o letreiro de alguma propaganda qualquer, ele era amarelo, ela
tinha sete anos, o pai no volante, ela atrás, voltava da escola e admirava
quatro ou cinco palavras escritas”. – A lembrança mais antiga que tenho com as
letras.
Aprendi a ler na
escola, aprendi a entender o que lia com meu pai, aprendi a oratória com minha
mãe e a amar ler com o curso de Letras e foi esta a função de formação de
leitores que a universidade exerceu em mim.
Na verdade,
narrar como formei a leitora que sou hoje, desde que entrei na universidade,
exige que conte como resolvi entrar... Principalmente porque imagino que seja
possível contar em poucos dedos quem são aqueles alunos que não entraram para
as Letras se não pela literatura.
Prestei o
vestibular para este curso porque amava escrever, amava escrever porque amava
meu pai, ele é escritor e amava ler, por isso me obrigou a ter esse sentimento
tão carinhoso pelo hábito, que inicialmente era conflituoso justamente pela
obrigação. Minha relação com a leitura sempre foi de amor e ódio, sempre!
Inclusive hoje.
Minha infância
se dividiu em duas fases, a dos pais casados e a dos pais separados. Nasci e
cresci em Goiânia, mas fui alfabetizada em São Paulo, onde morei dos quatro aos
sete anos. Essa fase da vida foi casada, aos finais de semana, fora os passeios
comuns, fazíamos, eu, meus pais e minha irmã, passeios cultos e comuns para os
paulistas, visitávamos bienais, feiras do livro, exposições.
Nessa época meu
pai trazia livros para mim e minha irmã que trouxessem lições de vida para o
caráter e a personalidade tão evidente que tínhamos. Outro ponto importante é
que não posso falar de mim sem falar da Vivi, minha mana. Certo dia, meu pai
trouxe para Vivi o livro “Rita, não grita!” e lemos juntos para que ela
compreendesse como era escandalosa. Para mim, papai trouxe “O reizinho mandão”
e também lemos juntos para que eu entendesse que não era bom mandar nas pessoas
como eu mandava aos seis anos de idade. Não adiantou muito para nenhuma das
duas, mas nunca pecamos pelo desconhecimento.
Éramos uma
família como a dos ursos da Cachinhos Dourados, sentávamos à mesa todos os dias
para almoçar, cada um no seu lugar, líamos a oração da refeição em voz alta e
Vivi e eu sempre brigávamos para quem ia ler. Nas minhas memórias o texto era
enorme, mas aos treze anos de idade encontrei este livrinho de orações e me dei
conta de como mudamos nossos pontos de referência de dimensão das coisas,
inclusive dos textos.
Na verdade, após
ter esta percepção, procurei por textos que eu amava pela recordação e julgava
grandes. Encontrei, minúscula, a história do Marreco na cartilha em que me
alfabetizei, uma historinha que lia e relia, que me encantava e me fazia sentir
uma grande leitora, de cinco linhas. Reli meu romance predileto da
pré-adolescência: “O safári dos montros” e me arrependi depois, pois me
desiludi com a (des)complexidade dos enigmas e mistérios do livro.
Quando voltamos
para Goiânia e meus pais se separaram, o único programa literário que tivemos
tempo de fazer foi o dia em que papai me levou com todos os irmãos para a
gibiteca da Praça Cívica, eu, a mais velha, com nove anos.
Como meu pai se
mudou para a mesma rua que a gente já morava, para que mesmo assim pudéssemos
nos ver todos os dias, todo final de semana passávamos com ele no apartamento e
enquanto meus irmãos brincavam no pátio do prédio, lá no quarto andar, na
janela acima, eu lia, resmungando no início, entretida no final, quase todo
domingo, um livro literário, dos quais vez ou outra pulei páginas e me confundi
na hora de contar a história para o doutor pai, que me fazia ler de novo.
Dessas obras de
fim de semana, a que mais marcou tudo que ainda sou, foi o “Sobradinho dos
Pardais”. Como chorei, aos dez, onze anos de idade, ao ler a história sofrida
dos passarinhos que saem da mata e vão para a cidade sofrer. Indiquei a leitura
a quem pude, fiz minha mãe ler e me contar o enredo assim como meu pai fazia
comigo e por fim, ele acabou jogado numa caixa de papelão, perdeu-se em uma das
várias mudanças.
Observei
diversas vezes que meu pai passava horas de frente pro computador escrevendo
qualquer coisa demorada que me impedia de brincar no paint, foi aos 12 anos de idade que de repente me dei conta que ele
era um escritor e que estava a lançar o livro “O Pasto do rebanho”, inspirado
na obra de Fernando Pessoa.
Sempre me
orgulhei de contar a todos que meu pai escreve e guardei a matéria do jornal
comunicando o lançamento de seu primeiro livro, quando uma amiga ia em casa,
orgulhosa, eu mostrava.
Toda vez que eu
fazia alguma coisa errada, minha mãe pegava o livrinho de orações da
Seicho-no-ie, nossa religião, e me colocava para ler em voz alta, para que ela
pudesse ouvir da cozinha. Eu no quarto, lia para ela, que já tinha o livro de
cor, as orações em forma de poema.
Tinha que
recitar, cada vez que li aquele texto da Sutra Sagrada, compreendi algo que
ainda não tinha percebido e não faço a menor ideia de quantas vezes o li, já
que lia nas doenças, nos castigos, nas cerimônias, nos agradecimentos, nos
pedidos e aonde mais o pudesse encaixar. Ainda hoje, quando leio os versos
poéticos daquelas orações, compreendo melhor o ensinamento dessa religião
oriental, na qual cresci. E minha mãe não só formou a boa oradora que sou, mas
também me mostrou que o caminho do texto é o da releitura.
“Assim! Isso é
bom para eu refletir também, se a gente for pensar, toda nossa criação foi pela
leitura: a diversão, os castigos, as recompensas, os problemas e as soluções” –
Comentou o Vinícius, mano rapa de tacho de mãe e pai, depois que li para ele
parte do que já tinha escrito aqui.
Também outro
dia, numa conversa com a Dassa, entendi que os irmãos formam nosso caráter. A
Vivi sempre foi meu ponto de referência, praticamente minha irmã gêmea, um ano
de diferença de idade. Por isso, sempre me esforçava para ler, mesmo que
tivesse dificuldade em deixar os muros, as árvores e a terra, simplesmente
porque ela devorava seus vinte livros por férias e eu não podia ser a
analfabeta da família, pensava, principalmente sendo a mais velha.
Então, quando
entrei pro ensino médio e pensei que fosse estudar sem a sombra da irmã, meu
pai conseguiu fazer com que ela não fizesse a 8ª série, a progrediu direto para
o ensino médio, para que estudássemos juntas e tivéssemos o mesmo bom ensino.
No início relutei em aceitar, por fim, encontrei nela a melhor amiga, a melhor
professora e a irmã mais chata.
Aprendi
gramática com a mana e foi a mana que sempre me repreendeu nas treslouquices e
ininterruptamente me aconselhou e me ouviu. Foi ela quem me incentivou a ler, a
fazer teatro e a ler todos os Harry Potters, por amor e por competição. E por
causa dela também, que para todos passaria de primeira no vestibular, pensei em
escolher um curso que me agradasse, óbvio, e que eu não corresse risco de ficar
para trás. E foram todas as indicações dela que sempre li sem receio, pois ela
sempre soube me indicar boas leituras.
Depois de tanto
raciocínio, de tantas ponderações, de pensar não só nos conceitos infantis,
optei pelo que não via como obrigação para ser minha profissão, pensei que dar
aulas, por mais que fosse um trabalho, nunca me daria sono, sempre me
envolveria... além do que, a leitura, fora da competição com a irmã, já me
agradava e sempre me fez entrar em conflito interno, por que não Letras? Só me
vinham “Sims” à mente.
Quando entrei
para o curso de Letras, ainda era uma adolescente de dezessete anos, não fosse
a carga literária que eu já tinha, teria sido muito mais difícil passar do
primeiro período. Tornei-me adulta dentro da Universidade Federal de Goiás. E
não só pelo tempo, cronologicamente pouco, que estive ali, mas pelo que ela me
construiu de reflexão.
Mil vezes entrei
em sérias crises existenciais por tudo que li no meu curso de graduação dentro
da Letras e nos cursos de Núcleo Livre. A pessoa que entrou nesse curso, em
março de 2007, foi uma menina preconceituosa, homofóbica, com claro
conhecimento de que necessitava muito mais conhecimento do que tinha e que iria
conseguí-lo durante o curso.
A pessoa que se
forma nesse curso e que nunca sairá dele, porque uma vez dentro se torna parte
dele, é uma adulta, com menos preconceitos e que tenta combatê-los, sem
homofobia, com claro conhecimento de que aprendeu muito, mas necessita muito
mais conhecimento do que tem e que, por meio de suas leituras, estará em
constante renovação.
Por mais que eu
tente, não consigo me lembrar das minhas primeiras leituras na universidade,
lembro bastante das discussões de textos de redação de vestibular com a
professora Mary Fátima. Lembro inclusive, que já no segundo ano de faculdade,
quando comecei a lecionar, esta mesma professora se aposentou e na porta de seu
gabinete, deixou uma pilha de textos na porta, no chão e me avisou para que, se
eu quisesse, pegasse alguns, óbvio que peguei.
Dentre os
achados, encontrei umas sessenta cópias de um texto de meados dos anos 80,
sobre as minorias sociais não serem minorias quantitativas e como usei este
texto com meus alunos e promovi debates em sala de aula e internos.
Lembro
claramente dos livros, mas não me lembro do que falavam, eram livros de
introdução à linguística e de introdução a literatura. Recordo nitidamente que
meu primeiro ano foi o mais conteudístico, o que, apesar de saber que não, mais
me parece ter lido e estudado e o ano em que discutia com meu pai, que também
fez Letras, sobre como eu estava sabendo mais teoria que ele. Engraçado que eu
não sabia nada, depois percebi que, na verdade, quanto mais estudamos, mais
necessitamos estudar, mais percebemos que ainda sabemos pouco.
As matérias de
literatura do primeiro ano, com a professora Sueli Regino nos dois períodos,
são as que mais ficaram na memória, mesmo que eu lembre desses dias como se
fossem na infância, posso ouvir sua voz fina e doce dissertar sobre as
influências do Rei Luís XIV, o Rei Sol, na arte... sobre narrativas de moldura e inclusive
contar sobre histórias de Sherazade, falar sobre Racine, o que me faz lembrar o
romance que lemos: Don Ruan, de Molière, que me fez perceber, na época, que eu
tinha um namorado problemático, visto que se identificava com ele
exacerbadamente.
E foram
analogias, complicadas assim, que fiz com quase todas as boas leituras que fiz. Exatamente por isso continuo lendo, quero ver se sempre terei epifanias. O fato
é que a boa leitura normalmente me deprime, por isso digo que ainda mantenho
certa relação de ódio com ela. Qual constantemente provoca mudanças em minha
vida e crises existenciais (o que com os textos que leio dentro do curso de
Letras são muito mais intensas), como quando li “As Moscas”, de Jean-Paul
Sartre e resolvi me eximir de culpa, não funcionou, mas me acrescentou.
As leituras que
esta professora indicava, sempre tinham um pé nas artes cênicas, formada que
era em Belas Artes, lemos também “Édipo Rei”, “Lisístrata” e “Boldas de
Sangue”.
Nos outros anos
do curso me ative a teoria literária, como a maior parte dos alunos, preterindo
o estudo dos romances pela crítica, o que sempre achei um erro, mas o cometia,
sempre com a justificativa das aulas que eu lecionava e das provas que chegavam, enfim, minha muleta sempre foi a correria cotidiana.
Apesar disso,
foi com os textos teóricos da área da educação, durante os estágios, que mais
refleti sobre a vida acadêmica, profissional e pessoal. E com o que hoje leio
nas aulas de fundamentos sócio-históricos da educação, de Bourdieu, Weber,
Marx, Adorno, entro em sérios conflitos, realmente me incomodo, repenso
conceitos construídos durante toda a vida e isso não é nada confortável, ainda
assim procuro por essas reações, porque, inclusive pelo que li deles, o
indivíduo tem que desconfiar do bem-estar.
Logo, a leitura
sempre me acompanhou, sinceramente, as vezes imagino que sempre li, nasci
lendo. Foi por isso também que me vi, como professora, na obrigação de
incentivar este hábito nos meus alunos.
Espero que não
continue pensando assim, espero que amanhã quando eu ler este memorial, eu
perceba quanto falta de detalhes nele, que acrescente outros parágrafos e que
nunca me dê por satisfeita. Atualmente, ainda com a pouca maturidade que tenho,
defendo a leitura como formadora de cada traço que temos em nós, desde a
leitura genética, da leitura de mundo, inconsciente e ora ou outra coletiva à
leitura mais consciente e crítica que possamos chegar.
Afinal, é pela leitura e
combinação de genes que nos encontramos aqui neste mundo, biologicamente, para lermos com os
olhos da alma.
(Parte do memorial anexado em meu TCC, espero que tenham paciência de ler!)
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Outros novos tempos chegam
Ainda
não sei se foi boa idéia escrever no limbo, isso o torna quase material, a
escrita historifica e realmente desejo que esses dias sejam como uma parte à
parte dos dias reais. Nesse limbo que é a Europa, o meu não-lugar, não é a primeira vez que venho
e volto sozinha e mesmo que sempre realizada, uma certa perda me atinge...
sempre deixo aqui uma pessoa inteira, volto outra, pode parecer mentiroso, mas
as decisões que tomamos na vida fazem de nós alguém irreconhecível e, para mim,
esta é uma terra de decisões.
Decido
então colocar em prática toda minha carta mental pro ano-novo, hoje nada mais
de querer ser a melhor aluna, esta é a parte da minha vida que me torno
qualquer coisa além da resposta fácil: “O que você é?” ... não importa, não sou
mais estudante, pelo menos não naquele sentido reduzido ao aluno, aliás,
importa sim, isto é o mais importante este ano, é exatamente o que muda tudo...
“Eu? Uai, eu sou tanta coisa ao mesmo tempo...”
Diante
de todas as reflexões que fiz sobre tudo que se passa cá dentro, depois de
bastante relutância ao engajamento e dedicação ao abstraimento, depois de
músicas alienadoras, saídas divertidas e rasas e amigas encantadoramente fieis,
me enfiei, sem saber, sem querer, num mundo no qual é impossível não pensar...
o mundo da história, das ruínas, do vinho, da música, dos monumentos, das
obras, dos sonhos... e mesmo aqui dentro, sei que sairei dele menos encantada
do que entrei, é sempre bom viver uns dias aqui pra lembrar quanto meu Brasil é
bom! E quanto tenho que me dedicar a ele.
Por
isso, portanto, volto mais professora...
Volto
mais saudosa... mais família... mais fofoqueira! Muita fofoca terei para fazer,
sem ninguém vir me pedir satisfações, fofocarei sobre eu mesma! Volto querendo
minhas amigas pra ontem!
Volto
mais apaixonada do que vim! De uma paixão que consome cada fiozinho restante de
renovação com o passado, paixão pela novidade, é isso, este meu 2011 me
dedicarei à novidade, contá-la-ei, procurá-la-ei, provocá-la-ei! Daquela
novidade mais chulésinha de todas, às novidades de realizações profissionais
construídas na pra vida toda.
Volto
mais eu, um tantinho mais narcisista, sem descartar a beleza do sexo oposto o belo alheio, óbvio! E
mais pilantra... hahaha... ainda estou a ponderar sobre tudo, não terminei de equilibrar o tanto de chocolate quente que ficará em cada copo.
Boa ou
má notícia, tentei andar pensando matematicamente, dá muito certo a minha
matemática mental... em primeiro lugar não sou um gráfico horizontal, vertical
ou diagonal, sou totalmente variante, uma onda, não tem jeito, até já tentei
mesmo continuar sendo sempre a mesma, não consigo e não me esforço para isso,
nada de linearidade por aqui. Porém, para tanto, divido minha mente em
departamentos, de todos os tipos. Sem contar que agora, com um olhar pelo campo
da vida real, tudo se multiplica por 2 reais e 40 centavos!
Assim
que pisar meus pesinhos 35 no Santa Genoveva, minha virada de ano acontece...
na verdade ainda nem me dei conta de que há um novo ano, então depois vou
escrever sobre o que acontece de plano pronto pro ano que vem, porque esses
planos surgiram, (e claro, boa parte deles surgiram aqui) e sobre a pessoa que
entrou em 2011, contudo ainda estou bem 2010, de qualquer forma:
Conto-lhes
então uma novidade? Bem... a novidade mais quente que me veio a mente não é
novidade nenhuma para quem me conhece: não sou mais a mesma.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Testamento
Hoje havia no livro de português dos meus alunos a proposta de escrever um testamento, resolvi, então, sentar e escrever o meu junto deles. Na verdade, no início ele ficaram chocados com o exercício, pois, "Professora! Ninguém aqui quer morrer não!" e tive de explicar que não era uma carta de suicídio e sim de "o que você deixará de valioso para quem ficar aqui, quando você morrer".
Testamento
Hoje, sendo eu a pessoa que
me construí e que os outros construíram, com o que experiencio, com o
que sinto, aprazeio, sofro, vejo, quero, rio, percebo e envelheço, deixo, para
cada um que faz parte de mim, uma parte de mim.
Deixo à vocês o prazer de
ensinar, a paz - por mais tumultuada - de viver entre alunos. Entrego-lhes e
levo comigo também de bom grado todo o amor que consumo e me consome, todo este
amor que me é dado, outrora arrancado, talvez adormecido, acordado e
reacordado, mas sempre estimulado, enfim, o amor que dedico e o que recebo.
Apresento-lhes, para que não
pequem pelo desconhecimento, a responsabilidade. Não aquela das horas, dos
dias, dos eventos, das contas... a responsabilidade dos compromissos com os
seres, da paciência com o outro. Presenteio-lhes com a coragem de tomar
decisões ou de voltar atrás nas precipitações.
E mais do que tudo, deixo o
perdão, porque quem perdoa, mesmo o desconhecido, ama.
Dos bens materiais, tão
medíocres, deixo todos à quem quiser... a cama bem e mal dormida, o computador
quebrado, os livros lidos, dedicados, os desenhos. Dos desenhos, deixo a
inspiração, da dor a maturidade e dos risos o prazer. A prazer, completude,
maior que ser feliz? Por isso, divido com vocês toda a felicidade que senti
nessa vida tão feliz. E a saudade também, sempre senti saudade: do tempo, das
pessoas, dos dias.
A herança que deixo é a da
experiência.
E para os filhos que ainda não
tive, os homens que ainda não casei, o irmão que não conheci, os amigos que não
cativei, deixo a vontade de tê-los tido em mim.
E para que nunca se esqueçam de
mim, sem explicações de sentimentos que não sei definir, enriqueço-os com
minhas lembranças tão bem cuidadas e retidas. E posso afirmar, já que depois de
mortos temos toda razão, que o segredo da raposa é verdadeiro "O
essencial é invisível aos olhos" - "Tu te tornas eternamente
responsável por aquilo que cativas".
Acima de tudo,
sempre com amor àqueles que me
conhecem por
Lili.
Obs.: Escrevo também, para que não se esqueçam da importância da
poesia, um poema:
Mim
Não sou eu uma forma
geométrica
qual posso descrever aos mínimos
detalhes
sem mutações.
Formo-me assim todos os
dias,
nas experiências que tenho,
no que exijo de mim e no que me
afeta.
O importante é que seja eu o que
for ou passo, sou feliz.
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